sexta-feira, 1 de maio de 2015

Sobre um fim

Acabei de ler aqui "sei que não mais suportarei situações limites por carência". Como fui tola de acreditar na auto capacidade de mudança. No fundo fico com a máxima de que mudamos e não mudamos nada. Freud tinha mais razão do q eu supunha. Sim, pq hj assumo q reproduzimos em demasia nossos medos infantis. Sim, tenho e sempre tive medo da solidão. O primeiro passo, aceitar e reconhecer-se. Depois, vejo o q virá. As consequência. Cá estou eu aqui novamente expondo minhas feridas a mim mesma. Feridas abertas por mim e pelos mais próximos. Aqueles que nós permitimos nos invadir a alma na busca de um cotidiano comum. Novamente me arrisquei, me entreguei e sigo sozinha. Hj to buscando o eixo do ciclo. Sei q nada em uma união de dois constrói-se somente por um. Mas hj eu quero saber é de mim, do q me permiti do q aceitei e do q eu mesma fiz.
Cara, não to buscando culpas ou culpados não. Nem respostas prontas. Quero saídas. Quero aquela luz no fim do túnel q te traz esperança em si mesmo e te permite caminhar em direção a um rumo. A quem  chame de amor (próprio), de esperança. Eu não sei bem como chamar.
Hj me descobri repetindo uma possessividade materna. Caiu me a ficha. A ficha do medo da solidão e do excessivo controle x descontrole.
Fiquei assim parada no vazio e me vi presa no passado. Reflexiva. Desamparada.
A novidade é que dessa vez não quero e não remendo as explicações do outro. Sei q as explicações estão em mim, na minha trajetória infantil. Será q tem algum alguém q seja livre disso? Ouço tanto falar sobre "maturidade". Aff, tantas pessoas tolas. A estas pergunto: de quem vc está escondendo os seus medos? Não existe maturidade, o q existe são padrões de comportamentos sociais onde vc se encaixa ou não. E se vc sai daquela caixinha-padrão logo vem um dedo a te apontar "imaturidade".
Faz tempo q resolvi só ser, me permiti viver. Fico com Neruda e o seu "Confesso que vivi".
Nossa trajetória e fruta da nossa própria permissão de viver. Alguns só se escondem em padrões. Outros vivem. Confesso q me permito viver, ainda q com o meus medos e dissabores. Fico no meio termo. Horas me escondo, horas me revelo. Assim sigo esse caminhar infantil e adulto.
Não quero ser as "indianas" do Neruda. Nem a que com rezas e facas diante da sua própria possessividade lança o seu desejo de matar seu companheiro (que foge). Nem a aquela que se mata diante do desejo do marido de ter mais de uma companheira oficial. Ambas condutas sociais permitidas naquele país.
Sacou? To me lixando pras condutas sociais q te ditam limites. Relação são permissões e aceites entre ambas as partes. Cada um apresenta os seus próprios limites e desejos. Cada qual aceita ou não. Sem auto-agressões pra satisfação do ego alheio. Todos nós carregamos nossa marcas (cicatrizadas, abafadas, ou curadas). Acho q é nesse campo de negociação que a coisa da relação acontece. Talvez "maturidade" seja o encontro de si com o seu próprio limite. O resto é compromisso, acordo e negociação.
Agora, compromissos, acordos e negociações são feitos à dois, né benzinho. Se o seu compromisso só se estabelece com vc mesmo e se funda na satisfação de si mesmo. Hum, acho q o ego gritou mais alto. Olha eu aqui to reconhecendo o meu e o seu egoísmo. Cai outra ficha. Nossos limites inegociáveis. Não aceito indiferença. Vc não aceita a minha possessividade. Admito, estou errada. Preciso reconhecer q este sentimento (ridículo!) de insegurança faz parte de mim. Mas não quero q faça! Agora me diz, vc sabe de onde parte a sua indiferença? É meu caro, não estamos sozinho nesse barco de egoísmo navegando meio a medos e desejos individuais.
Pq o admiro tanto? Te deixo aqui a resposta: o compromisso com a sinceridade. Sim, me reconheço nesse compromisso.
Pausa... meu bebê acordou. Preciso dar-lhe acolhimento.
Retorno.
Já não sei onde estava. Onde parei a minha reflexão. Mas algo q preciso registrar aqui é: se vc fosse capaz de suprir essa necessidade de amparo eu seria capaz de libertar-me da possessividade. Só q eu não te fiz essa cobrança. Eu vi q sou eu q tenho de suprir-me amparo e libertar-me da possessividade pq esse é um problema meu. Assim como vi q suas questões tinham de ser resolvidas por vc e aceitei esperar por mudanças de alguns dos seus comportamentos falhos como inconstância emocional, tendente ausência de cumprimento de tarefas na rotina de uma casa, flertes e pq não frieza.
Enquanto eu achava q tudo era uma fase, uma questão do pós-gravidez, ou um medo (susto) incoerente da paternidade, vc simplesmente reunia era as suas forças pra deixar-nos. Ou seja, era e é nada menos do que fuga o q vc executa agora. Pode me acusar, culpar e expor os meus defeitos. Mas será q realmente o desgaste da relação só se estabeleceu sob eles? E vc? E a sua recusa ao diálogo ao carinho? E o seu autoritarismo? O q te digo é q pra além de pontos de limites eu vejo é fuga de uma proposta de companheirismo. Se o q te peço é a passividade que exerci frente as suas falhas, sim, pode ser. Taí algo de q preciso refletir mais. Pra mim vc abandonou o barco q eu ainda navegava.
Eu realmente tenho dúvidas. Vejo nossas ações caminhantes entre covardia e amor-próprio.