Acabei de ler aqui "sei que não mais suportarei situações limites por carência". Como fui tola de acreditar na auto capacidade de mudança. No fundo fico com a máxima de que mudamos e não mudamos nada. Freud tinha mais razão do q eu supunha. Sim, pq hj assumo q reproduzimos em demasia nossos medos infantis. Sim, tenho e sempre tive medo da solidão. O primeiro passo, aceitar e reconhecer-se. Depois, vejo o q virá. As consequência. Cá estou eu aqui novamente expondo minhas feridas a mim mesma. Feridas abertas por mim e pelos mais próximos. Aqueles que nós permitimos nos invadir a alma na busca de um cotidiano comum. Novamente me arrisquei, me entreguei e sigo sozinha. Hj to buscando o eixo do ciclo. Sei q nada em uma união de dois constrói-se somente por um. Mas hj eu quero saber é de mim, do q me permiti do q aceitei e do q eu mesma fiz.
Cara, não to buscando culpas ou culpados não. Nem respostas prontas. Quero saídas. Quero aquela luz no fim do túnel q te traz esperança em si mesmo e te permite caminhar em direção a um rumo. A quem chame de amor (próprio), de esperança. Eu não sei bem como chamar.
Hj me descobri repetindo uma possessividade materna. Caiu me a ficha. A ficha do medo da solidão e do excessivo controle x descontrole.
Fiquei assim parada no vazio e me vi presa no passado. Reflexiva. Desamparada.
A novidade é que dessa vez não quero e não remendo as explicações do outro. Sei q as explicações estão em mim, na minha trajetória infantil. Será q tem algum alguém q seja livre disso? Ouço tanto falar sobre "maturidade". Aff, tantas pessoas tolas. A estas pergunto: de quem vc está escondendo os seus medos? Não existe maturidade, o q existe são padrões de comportamentos sociais onde vc se encaixa ou não. E se vc sai daquela caixinha-padrão logo vem um dedo a te apontar "imaturidade".
Faz tempo q resolvi só ser, me permiti viver. Fico com Neruda e o seu "Confesso que vivi".
Nossa trajetória e fruta da nossa própria permissão de viver. Alguns só se escondem em padrões. Outros vivem. Confesso q me permito viver, ainda q com o meus medos e dissabores. Fico no meio termo. Horas me escondo, horas me revelo. Assim sigo esse caminhar infantil e adulto.
Não quero ser as "indianas" do Neruda. Nem a que com rezas e facas diante da sua própria possessividade lança o seu desejo de matar seu companheiro (que foge). Nem a aquela que se mata diante do desejo do marido de ter mais de uma companheira oficial. Ambas condutas sociais permitidas naquele país.
Sacou? To me lixando pras condutas sociais q te ditam limites. Relação são permissões e aceites entre ambas as partes. Cada um apresenta os seus próprios limites e desejos. Cada qual aceita ou não. Sem auto-agressões pra satisfação do ego alheio. Todos nós carregamos nossa marcas (cicatrizadas, abafadas, ou curadas). Acho q é nesse campo de negociação que a coisa da relação acontece. Talvez "maturidade" seja o encontro de si com o seu próprio limite. O resto é compromisso, acordo e negociação.
Agora, compromissos, acordos e negociações são feitos à dois, né benzinho. Se o seu compromisso só se estabelece com vc mesmo e se funda na satisfação de si mesmo. Hum, acho q o ego gritou mais alto. Olha eu aqui to reconhecendo o meu e o seu egoísmo. Cai outra ficha. Nossos limites inegociáveis. Não aceito indiferença. Vc não aceita a minha possessividade. Admito, estou errada. Preciso reconhecer q este sentimento (ridículo!) de insegurança faz parte de mim. Mas não quero q faça! Agora me diz, vc sabe de onde parte a sua indiferença? É meu caro, não estamos sozinho nesse barco de egoísmo navegando meio a medos e desejos individuais.
Pq o admiro tanto? Te deixo aqui a resposta: o compromisso com a sinceridade. Sim, me reconheço nesse compromisso.
Pausa... meu bebê acordou. Preciso dar-lhe acolhimento.
Retorno.
Já não sei onde estava. Onde parei a minha reflexão. Mas algo q preciso registrar aqui é: se vc fosse capaz de suprir essa necessidade de amparo eu seria capaz de libertar-me da possessividade. Só q eu não te fiz essa cobrança. Eu vi q sou eu q tenho de suprir-me amparo e libertar-me da possessividade pq esse é um problema meu. Assim como vi q suas questões tinham de ser resolvidas por vc e aceitei esperar por mudanças de alguns dos seus comportamentos falhos como inconstância emocional, tendente ausência de cumprimento de tarefas na rotina de uma casa, flertes e pq não frieza.
Enquanto eu achava q tudo era uma fase, uma questão do pós-gravidez, ou um medo (susto) incoerente da paternidade, vc simplesmente reunia era as suas forças pra deixar-nos. Ou seja, era e é nada menos do que fuga o q vc executa agora. Pode me acusar, culpar e expor os meus defeitos. Mas será q realmente o desgaste da relação só se estabeleceu sob eles? E vc? E a sua recusa ao diálogo ao carinho? E o seu autoritarismo? O q te digo é q pra além de pontos de limites eu vejo é fuga de uma proposta de companheirismo. Se o q te peço é a passividade que exerci frente as suas falhas, sim, pode ser. Taí algo de q preciso refletir mais. Pra mim vc abandonou o barco q eu ainda navegava.
Eu realmente tenho dúvidas. Vejo nossas ações caminhantes entre covardia e amor-próprio.