sexta-feira, 24 de junho de 2011

Indescritível esse inconformismo que só a arte é capaz de expressar.

Lijo, compartilhas comigo esse gosto pelo indecifrável...
 pq é só nessa angústia não solitária que se acalma o meu lado inconteste. 
Divide comigo esse querer de não seguir só na direção do nada.
E eu lhe perdoarei, nossas falhas indistintas.


http://youtu.be/g4VmuuGKjck

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Duas Opiniões - Tom Zé

Ridículo chorar
Patético viver
Paradoxal prazer
Apologia do sofrer (chorar é coisa do amor)

Ridiculo chorar
Amor coisa do coração
Patético viver
O coração é do sonhar

Chorar este chorinho chorar
Sonhar este chorinho chorar
Chorar é coisa do amor
Amor coisa do coração

Patético viver
O coração é do sonhar
Sonhar este chorinho chorar
Apologia do sofrer

Leal,pagode,fiel,tão doce,ilusão,enganador
Não sabe quem não quer
Sincero (só) se fosse teria mais pudor
E nos sentir mulher

Mas rasga o coração (é só paixão) que gosta de sofrer
Lascivo e exalta a dor como o prazer
Porém nos laços dos martírios teus
Ou nos lírios e delírios meus

Somos a multidão
Um simples coração
Só, só
Gritando no porão

Chorar é coisa do amor
Rir rir ridículo chorar
Amor coisa do coração
Patético viver

O coração é do sonhar
Paradoxal prazer
Sonhar este chorinho chorar
Apologia do sofrer

Chorar é coisa do amor
Meu bem chora por mim
Amor coisa do coração
Meu bem chora por ti

O coração é do sonhar
Soluço pra te ver cantar
Sonhar este chorinho chorar
Cantando venho soluçar

Mais meninas vocês souberam?
Foi o pagode, foi o pagode, foi o pagode aquele
Alvitero sem-vergonha, lascivo, que foi perverter
desvifiar, desatinar a coroa da Inglaterra, que largou

A coroa, largou tudo, por causa desse pagode,
Esse facilitador de namoro
E não respeita a uma grande potência como a Inglaterra. Que sujeito subvertedor.
da ordem, do respeito e da lei
Até na Inglaterra.

Até na Inglaterra
Ele destronou (aquele) um rei
Da sedução
Que por sua paixão
Abandonou o trono

A corte
E a lei
Deixou de mão
Até Santo Agostinho
(por amor viveu)

Foi sua presa
Pecado só
E Deus para esperá-lo (sentiu em si)
Assistiu muita proeza
Carne e pó

No pagode
É carne
Senhor tem dó
E depois não tem lugar
De ter lugar
De ter em si
Pecado e pó
E ma ma ma ma ma ma maltratar

quinta-feira, 9 de junho de 2011

O Retrato de Dorian Gray ou 1984

Nada precisa ser dito, revela-se por si. Sem palavras os gestos encontram atos sem cenários. Não, não há interpretações. Sim, sei que revelei e exibi seu retrato num salão público. Mas também sei que eu não externei os segredos que confiaste a mim, esses não. Esses são nossos. Seria mais fácil pra você se tivesse confiado em mim seus medos porque assim eles também seriam nossos e eu não os revelaria. Eu não entrego o que a mim é confiado. As minhas interpretações e inflexões é que vieram à tona e explodiram naquela ocasião. Subestimou-me. Odeio mentiras, eu não perdoei seu erro.
Desvia os olhos de mim e finge tranquilidade. Sua tentativa de fuga manifesta todo o seu incômodo diante da minha presença. Porque lhe causo tanto desconforto? Não sente-se bem com o que é ou não sente-se bem porque eu sei o que você é. Acho que um pouco dos dois. Mas... “Mas” adoro essa expressão. Ela é muito mais significativa que o “também”. O mas sintetiza toda a dialética, é a unidade na diversidade. Muito melhor que a palavra também, que somente soma algo. Tem pouca significância porque somente manifesta algo de outro, sem originalidade alguma. Voltando.. mas, não tenha medo já não ofereço ameaça. Você está livre e sempre foi, lembre-se disso.
Sabe qual o significado da palavra revolução? Algo inédito em andamento. Sim, então eu revolucionária aceitei a cena e interagi no ato. E, revolucionei seu presente. Sem evocar a liberdade, algo tão aclamado nos seus discursos, eu a ofereci e a estendi sob os seus olhos.
Acho mais confortante caminhar sem o peso dos livros, quadros de segredos, nas costas. Prefiro lê-los e refletir com a ajuda da memória sua significância. Sei que nada adiantará eu dizer-te não se sinta incomodado com a minha presença pois não pretendo feri-lo. Acredite, é verdade que não ofereço ameaças. Não se acue porque já não pode fazer-me mal. Sinta-se em casa na minha sala, como sabe apresento tudo o que penso (esse aqui é só mais um externamento). Eu já não quero mais o seu mal. E, muito menos sei o que te acontecerá. Já não mei importa mais o seu futuro pois não cultivo mais nosso passado. Ele voa na lembrança, logo será um risco no meu céu de diamantes, como uma estrela que cai.
O segredo da revolução está na autenticidade histórica. Não há roteiros, não há modelos prontos. Nossa geração conhece bem o erro das consequencias de uma passo-a-passo histórico. Então, permita-se ser aquilo que você admira. Não se esconda nessa pintura enfeitada para um feitiço. Corra os riscos de ser autêntico. Voe comigo ou sem migo. Eu aprendo ao voar, diariamente, e te digo que é até divertido.
Te apresentei o que de melhor havia em mim. No meu momento mais frágil aceitei sua companhia, o acolhi e segui recebendo suas falhas sem julgá-lo por vieses morais. De ti recebi, além do conforto da sua presença, seus medos e suas mentiras. Nada em você era vazio. Sua palavras eram carregadas de intenção de satisfação do seu próprio ego, cheio de desejos. Só quis de ti confiança e isso foi o que me negaste. No presente, hoje futuro, afirmo sem medo de errar. O que você aprisiona eu liberto. Eu me liberei de você.