Foi difícil respirar e superar. Revirei-me pelo avesso pra encontrar as palavras e as matizes de um novo eu. Foi necessário desalojar as bases morais daquelas vindas, daquelas idas. E reconhecer que toda a moral é vã. E tola. Era pouco, pouco mais que um pouco de cólera no pranto amargo do egoísmo, do desapego. Te vi como quem vê um monstro e estigmatizei todo devaneio eloqüente. Eu queria mais que as explicações parcas e vazias que dentro de mim só encontrava a vaidade.
Eu queria, queria, mas não podia mais do que um pouco de literatura. A vida transborda entre os vivos e eu um pouco morta não podia e não conseguia restar mais do que ficção.
O transtorno menos que delirante preenchia tudo aquilo que não se vivia. Sim era a busca, a busca da vida transbordada, desengarrafada. E me enxergava fazendo ver todo um caminho pouco trilhado, pouco descartado, amiúde. Eu queria mais e mais. Mais. Não podia fugir, não desejava e não deveria. Eu queria muito mais que o óbvio da vida, vívida. E fervilhava e transbordava em gozo por cima das coxas o desejo. Nada aqui era submerso, sim era premente e um pouco perverso. Cheio de coragem e com pouco glamour, sem brilhos, embora ardesse nas sombras.
O que não se podia ver constatavasse nos outros sentidos. Cheirando forte e voraz se denunciava não nas pálpebras mas em todo o resto. Seu corpo era meu e eu o desejo. Eu queria mais, um pouco mais do que o seu corpo em presença me ofertava. Sua alma era um pouco mais da minha própria imaginação. E eu, eu farejava você, seguindo como uma onça selvagem sua presa e camuflava-me nas suas andanças perdidas. Eu era o risco e também a sombra do trovejar.
Devorava nos dentes os pudores antes concisos, encouraçados. A explicação vazia, pueril, descartada alisava a minha face que enfeitiçava sua direção. Agora pouco mórbida ficava a lembrança das leis ora pronunciadas, ditas, defendidas. O que ficava era deleite sob nós.
O Amor,! Sim. Era admirado.
Não passou
Drummond
Passou?
Minúsculas eternidades
deglutidas por mínimos relógios
ressoam na mente cavernosa.
Não, ninguém morreu, ninguém foi infeliz.
A mão- a tua mão, nossas mãos-
rugosas, têm o antigo calor
de quando éramos vivos. Éramos?
Hoje somos mais vivos do que nunca.
Mentira, estarmos sós.
Nada, que eu sinta, passa realmente.
É tudo ilusão de ter passado.
Eu queria, queria, mas não podia mais do que um pouco de literatura. A vida transborda entre os vivos e eu um pouco morta não podia e não conseguia restar mais do que ficção.
O transtorno menos que delirante preenchia tudo aquilo que não se vivia. Sim era a busca, a busca da vida transbordada, desengarrafada. E me enxergava fazendo ver todo um caminho pouco trilhado, pouco descartado, amiúde. Eu queria mais e mais. Mais. Não podia fugir, não desejava e não deveria. Eu queria muito mais que o óbvio da vida, vívida. E fervilhava e transbordava em gozo por cima das coxas o desejo. Nada aqui era submerso, sim era premente e um pouco perverso. Cheio de coragem e com pouco glamour, sem brilhos, embora ardesse nas sombras.
O que não se podia ver constatavasse nos outros sentidos. Cheirando forte e voraz se denunciava não nas pálpebras mas em todo o resto. Seu corpo era meu e eu o desejo. Eu queria mais, um pouco mais do que o seu corpo em presença me ofertava. Sua alma era um pouco mais da minha própria imaginação. E eu, eu farejava você, seguindo como uma onça selvagem sua presa e camuflava-me nas suas andanças perdidas. Eu era o risco e também a sombra do trovejar.
Devorava nos dentes os pudores antes concisos, encouraçados. A explicação vazia, pueril, descartada alisava a minha face que enfeitiçava sua direção. Agora pouco mórbida ficava a lembrança das leis ora pronunciadas, ditas, defendidas. O que ficava era deleite sob nós.
O Amor,! Sim. Era admirado.
Não passou
Drummond
Passou?
Minúsculas eternidades
deglutidas por mínimos relógios
ressoam na mente cavernosa.
Não, ninguém morreu, ninguém foi infeliz.
A mão- a tua mão, nossas mãos-
rugosas, têm o antigo calor
de quando éramos vivos. Éramos?
Hoje somos mais vivos do que nunca.
Mentira, estarmos sós.
Nada, que eu sinta, passa realmente.
É tudo ilusão de ter passado.