quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Duelos e nada mais...



Quando foi a ultima vez que eu saí de casa? Que me permiti o confronto? Sim, porque cada rosto que me observava representava um desafio.. quase um duelo cotidiano e rotineiro! Faces sombrias que me desafiavam a serenidade...  Eu não tinha tantas vidas para me arriscar à roleta russa,! Eu não queria me desfazer da delicadeza!
As sobrancelhas esguias anunciavam a expressão de observação assustada! Por isso, eu ainda me cercava pelas paredes daquele apartamento frio, que se situava bem no centro da zona de horror do subúrbio. Quando me dei conta de que os dias haviam se arrastado percebi que o ano já estava no fim. 
Eu ouvia os barulhos provocados pelo terror! Decidia a cada dia que passava, quase que involuntariamente, (pois eu nem bem percebia que era uma decisão) ficar em casa, enclausurada. Trancava as portas com todas as voltas que as chaves pudessem fazer. Fechava as janelas e as cortinas. Como se os vidros, sem lentes transitions, pudessem me trazer alguma proteção via observação de esguelha. Pra quê tantas crianças à caminhar pelas avenidas? Por quê vem e vão? Por quê andam sozinhas?
Eu me negava a participação comunitária,! Eu não me enxergava como um igual... Se bem, que pensando bem... eles, os que se defendiam da opressão nazista, também não viam em mim nada de particular que os fizessem cogitar a minha presença como algo essencial. Eu, portanto, estava entre, estava no intervalo! Não havia nada que categorizasse a minha presença como algo imprescindível. E, se pensarmos bem... quem é imprescindível nesse sistema?

sábado, 13 de novembro de 2010

Apressando o passo do passado

O pulso volta ao normal. As oscilações, características do período, cessam. Hoje vi sem querer saber que a monstruosidade líquida também me amargurava. Hoje vejo que o sofrimento psíquico (não só meu) fez doer em mim também a mágoa do não vivido, o despeito do não realizado. Eu te quis, te busquei, espraguejei e sobrevivi sem alguma explicação lógica. E agora, aliviada, vejo o que se foi. A dor cessou, me liberto pra um outro dia. Há coisas que por mais que queiramos são irrealizáveis. Vivi a prova, a dupla prova. O porque ainda desconheço... porque o destino me apresentou toda a dor da amargura naquela ocasião. No ano de 2010 revivi a derrota do século XX.
Porque reservaste a mim aquele sofrimento? Não, não me diga mentiras. Eu não quero mais explicações. Se pergunto é por impulso. Eu não quero as injúrias e lamentações dos mau-amados. Ah, quantas mentiras tive que perdoar pra me livrar do rancor azedo. Estou pronta, posso morrer agora. Já não temo a morte. Já não temo o vazio, porque a mim ele não assusta. Não mais. A dor passou. O frísson, secou. A mágoa se foi junto com a revolta de achar que eu tinha perdido algo. Não, não perdi nada. Porque sei que só se foram ilusões. Deixei de ser autômota. Banhei-me nas águas doces da liberdade.
Sei que o que se foi não foi em vão. Há sempre uma aprendizagem. Hoje vejo tudo como um momento inconsequente. Mais uma história pra contar, mais um riso solto no ar. Sim, eu aprendi que as pessoas também mentem e manipulam por puro medo da solidão. Eu te perdoo, eu me perdoo. O que se foi foi o medo.


Ps: A morte não me quis! Não há nenhuma explicação lógica que justifique a existência.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Porque nunca acaba no fim

Sabe o que é? Me sinto como se um caminhão tivesse atropelado a minha trajetória geracional. E, um misto de inconformismo com insatisfação, provocado pelas feridas abertas naquele corpo sangrante, demonstrasse que não há nada que envergonhe do acovardamento. Será um ato de covardia não morrer de pé? 
A capacidade de avaliação do caos operante apresenta a desventura de caminhos desaprisonadores. Não acredito em heróis, não valorizo heroísmo. Sim, sou maldita. E diante do provável, não, não regozijo-me, na análise geral fustro-me! Certa vez me disseram: o problema da nossa geração é que o capitalismo é capaz de absorver tudo que criamos, inclusive os protestos. Sim, talvez essa seja uma das questões. Pra mim, o centro da problemática está no fato dele (o capitalismo) ter se apropriado da nossa subjetividade. Percebo que a nossa maior dificuldade está em reinventar uma outra sociabilidade não baseada no valor mercantil como o aspecto central da vivência em coletividade. 
Vejo o que deveria ser o meu semelhante consumindo felicidade. Aos meus olhares parece uma forçassão de prazer. Eles exageram na cena, parece que há um pouco de verdade, fato, mas, fica evidente que há um exagero na representação. É como se existisse uma necessidade de negar o caos instalado, como uma forma de auto-afirmação que diz: ainda é possível viver na ordem da mercadoria(!) Olha como depois de umas cervas tudo parece satisfatório. Eu comprei a minha dose de felicidade. E você, porque não bebe?
Eu mesma, eu fico é perdida. Desencontro-me e disperso sempre. A interrogação está na ordem do dia, é o general que põe o dedo na minha cara e desafia a minha paciência enquanto exibe seu 48. O caminhão que transportava os valores passou pela minha cabeça deixando pouca massa cefálica. Parece que o coração ficou intacto, mas, só parece. Porque, diante do caos, está mesmo é sobrecarregado de tanto ser incompreendido e pouco identificar-se com o que perambula e se apresenta pelo lado de fora.
Talvez eu seja só mais um Torquato no auge dos seus 28 anos.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Se eu acreditasse em destino hoje eu diria: o destino me abençoou!,

Sou cética. Preciso dos fatos. Busco teorias críticas, análises, explicações. Hoje, lá estavam eles, os fatos comprovando toda análise subcutânea, me esperando como ansiosos o desabrochar. Frente a frente estava o meu rancor, amargurado, procurando desacorrentar as dores de uma velação. Os fatos vieram como que dançando em minha direção. Não, eu nãos os procurei, mas, sim, eu confirmei a deixa. Minha insegurança ainda gotejava o medo de estar equivocada frente a análise. Acertei no milhar! Minhas teorias me apresentaram o que sucederia. O que de fato ocorreu!!! Preciso confiar mais na minha sensibilidade, sobretudo na sensibilidade crítica.
Sobre a ocasião estava certa de que era sentar e esperar o fiasco. Nada mudaria a rotina decadente. Nunhuma intervenção minha seria capaz de. Regogizo-me, eu sempre estive certa. Pelo menos com relação a essa situação, específica.