sábado, 13 de novembro de 2010

Apressando o passo do passado

O pulso volta ao normal. As oscilações, características do período, cessam. Hoje vi sem querer saber que a monstruosidade líquida também me amargurava. Hoje vejo que o sofrimento psíquico (não só meu) fez doer em mim também a mágoa do não vivido, o despeito do não realizado. Eu te quis, te busquei, espraguejei e sobrevivi sem alguma explicação lógica. E agora, aliviada, vejo o que se foi. A dor cessou, me liberto pra um outro dia. Há coisas que por mais que queiramos são irrealizáveis. Vivi a prova, a dupla prova. O porque ainda desconheço... porque o destino me apresentou toda a dor da amargura naquela ocasião. No ano de 2010 revivi a derrota do século XX.
Porque reservaste a mim aquele sofrimento? Não, não me diga mentiras. Eu não quero mais explicações. Se pergunto é por impulso. Eu não quero as injúrias e lamentações dos mau-amados. Ah, quantas mentiras tive que perdoar pra me livrar do rancor azedo. Estou pronta, posso morrer agora. Já não temo a morte. Já não temo o vazio, porque a mim ele não assusta. Não mais. A dor passou. O frísson, secou. A mágoa se foi junto com a revolta de achar que eu tinha perdido algo. Não, não perdi nada. Porque sei que só se foram ilusões. Deixei de ser autômota. Banhei-me nas águas doces da liberdade.
Sei que o que se foi não foi em vão. Há sempre uma aprendizagem. Hoje vejo tudo como um momento inconsequente. Mais uma história pra contar, mais um riso solto no ar. Sim, eu aprendi que as pessoas também mentem e manipulam por puro medo da solidão. Eu te perdoo, eu me perdoo. O que se foi foi o medo.


Ps: A morte não me quis! Não há nenhuma explicação lógica que justifique a existência.

Um comentário:

Lourenço Regis disse...

A superação é tão vã quanto a mágoa superada. Genial!