Viço
Eu queria morrer
Pois já me dava como vencida
Mas não sabia como
Pois temia a morte
Então morri lentamente
Infelizmente foi dolorosa a minha morte
Não foi como eu esperava:
simplesmente,
adormecer e morrer
Embora eu estivesse frágil
e debilitada
Meu eu ainda estava presa ao ego
com medo da descida às profundezas
E, por isso, eu ficava rolando de um lado para outro, nua e frágil
Raivosa. Solitária. Defendida .
Temendo o fim
Estava presa às certezas
Evitava habilidosa as perdas
Agarrava-me as tentativas de continuar no conhecido
Não sabia q no novo
moram outras vidas
Impaciente
Evitava o aprendizado
e com isso impedia o despertar
Eu não sabia amar
Precisei estar disposta a morrer
No dia do início da minha morte
Deixei-me morrer mesmo que sem saber como
mas, confesso, ainda morrendo
ainda nas profundezas do desconhecido
arrumando meus ossos
desembaraçando meus cabelos
oxigenando às velhas células
deixei morrer o desamor
permiti dar luz a esperança
gerei vida
dei vida a mãe amorosa para a
minha criança
na morte daquele quintal
dei vida para a meu próprio caminho
na saída daquele corredor escuro
gerei vida, dei à luz
fiz queimar fogo pra iluminar os nossos passos
deixei morrer a solidão
deixei morrer o desamor q recebi
deixei morrer o medo da repetição do afeto-ferido
deixei ir a dor
para me abrir
para permitir o encontro
do eu-cuidado
hoje deixo morrer a dor do afeto-ferido
pra deixar viver o eu-cuidado
permito dar luz ao meu novo eu, enredado no amado
permito ao despertar reencontrar-me com a minha inocência
receber o q TB me procura nesse novo estágio do meu eu-cuidado
confiante na aprendizagem
permito repousar novamente
revitalizo-me nesta profundeza
com a esperança de encontrar exuberante, o seu solo inexplorado
engrandecendo em nós
nossa nova vida