domingo, 18 de abril de 2021

Viço

 Viço


Eu queria morrer 

Pois já me dava como vencida 


Mas não sabia como

Pois temia a morte


Então morri lentamente

Infelizmente foi dolorosa a minha morte


Não foi como eu esperava:

simplesmente,

adormecer e morrer


Embora eu estivesse frágil

e debilitada 

Meu eu ainda estava presa ao ego

com medo da descida às profundezas 


E, por isso, eu ficava rolando de um lado para outro, nua e frágil 

Raivosa. Solitária. Defendida .


Temendo o fim


Estava presa às certezas

Evitava habilidosa as perdas

Agarrava-me as tentativas de continuar no conhecido 


Não sabia q no novo 

moram outras vidas


Impaciente 


Evitava o aprendizado

e com isso impedia o despertar 


Eu não sabia amar

Precisei estar disposta a morrer


No dia do início da minha morte

Deixei-me morrer mesmo que sem saber como


mas, confesso, ainda morrendo

ainda nas profundezas do desconhecido 


 arrumando meus ossos

desembaraçando meus cabelos

oxigenando às velhas células 


deixei morrer o desamor 

permiti dar luz a esperança 

gerei vida


dei vida a mãe amorosa para a 

minha criança


na morte daquele quintal 

dei vida para a meu próprio caminho


na saída daquele corredor escuro 

gerei vida, dei à luz

fiz queimar fogo pra iluminar os nossos passos


deixei morrer a solidão

deixei morrer o desamor q recebi 

deixei morrer o medo da repetição do afeto-ferido

deixei ir a dor


para me abrir 

para permitir o encontro

do eu-cuidado


hoje deixo morrer a dor do afeto-ferido

pra deixar viver o eu-cuidado

permito dar luz ao meu novo eu, enredado no amado


permito ao despertar reencontrar-me com a minha inocência 

receber o q TB me procura  nesse novo estágio do meu eu-cuidado 

confiante na aprendizagem

permito repousar novamente 


revitalizo-me nesta profundeza

com a esperança de encontrar exuberante, o seu solo inexplorado


engrandecendo em nós

nossa nova vida

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