quinta-feira, 9 de junho de 2011

O Retrato de Dorian Gray ou 1984

Nada precisa ser dito, revela-se por si. Sem palavras os gestos encontram atos sem cenários. Não, não há interpretações. Sim, sei que revelei e exibi seu retrato num salão público. Mas também sei que eu não externei os segredos que confiaste a mim, esses não. Esses são nossos. Seria mais fácil pra você se tivesse confiado em mim seus medos porque assim eles também seriam nossos e eu não os revelaria. Eu não entrego o que a mim é confiado. As minhas interpretações e inflexões é que vieram à tona e explodiram naquela ocasião. Subestimou-me. Odeio mentiras, eu não perdoei seu erro.
Desvia os olhos de mim e finge tranquilidade. Sua tentativa de fuga manifesta todo o seu incômodo diante da minha presença. Porque lhe causo tanto desconforto? Não sente-se bem com o que é ou não sente-se bem porque eu sei o que você é. Acho que um pouco dos dois. Mas... “Mas” adoro essa expressão. Ela é muito mais significativa que o “também”. O mas sintetiza toda a dialética, é a unidade na diversidade. Muito melhor que a palavra também, que somente soma algo. Tem pouca significância porque somente manifesta algo de outro, sem originalidade alguma. Voltando.. mas, não tenha medo já não ofereço ameaça. Você está livre e sempre foi, lembre-se disso.
Sabe qual o significado da palavra revolução? Algo inédito em andamento. Sim, então eu revolucionária aceitei a cena e interagi no ato. E, revolucionei seu presente. Sem evocar a liberdade, algo tão aclamado nos seus discursos, eu a ofereci e a estendi sob os seus olhos.
Acho mais confortante caminhar sem o peso dos livros, quadros de segredos, nas costas. Prefiro lê-los e refletir com a ajuda da memória sua significância. Sei que nada adiantará eu dizer-te não se sinta incomodado com a minha presença pois não pretendo feri-lo. Acredite, é verdade que não ofereço ameaças. Não se acue porque já não pode fazer-me mal. Sinta-se em casa na minha sala, como sabe apresento tudo o que penso (esse aqui é só mais um externamento). Eu já não quero mais o seu mal. E, muito menos sei o que te acontecerá. Já não mei importa mais o seu futuro pois não cultivo mais nosso passado. Ele voa na lembrança, logo será um risco no meu céu de diamantes, como uma estrela que cai.
O segredo da revolução está na autenticidade histórica. Não há roteiros, não há modelos prontos. Nossa geração conhece bem o erro das consequencias de uma passo-a-passo histórico. Então, permita-se ser aquilo que você admira. Não se esconda nessa pintura enfeitada para um feitiço. Corra os riscos de ser autêntico. Voe comigo ou sem migo. Eu aprendo ao voar, diariamente, e te digo que é até divertido.
Te apresentei o que de melhor havia em mim. No meu momento mais frágil aceitei sua companhia, o acolhi e segui recebendo suas falhas sem julgá-lo por vieses morais. De ti recebi, além do conforto da sua presença, seus medos e suas mentiras. Nada em você era vazio. Sua palavras eram carregadas de intenção de satisfação do seu próprio ego, cheio de desejos. Só quis de ti confiança e isso foi o que me negaste. No presente, hoje futuro, afirmo sem medo de errar. O que você aprisiona eu liberto. Eu me liberei de você.

Um comentário:

Anônimo disse...

Gostei muito desta prosa. Pessoalmente o conteúdo me fala muita coisa, já que terminei meu relacionamento de 5 anos em Janeiro e me senti na pele do interlocutor. Não achei que seja uma tentativa de elaboração, com exceção da parte que você filosofa sobre a palavra "mas", de resto achei a prosa bastante espontânea, parece que você vai simplesmente botando para fora frase por frase.