terça-feira, 26 de julho de 2011

Quando a imprevisibilidade se realiza

       Meu passado, um trajeto já marcado. Olho e vejo tudo o que se foi, hoje mais tranquilidade, mais mansidão. Ah, já não tenho mais a ingenuidade... no diário reflito o fazer contínuo. Amei sob todo nosso descontrole. O mistério do planeta somos nós, seres que vivem intensamente os sentimentos e jogam a razão moral no lixo. Quando você se foi ficaram as nossas lembranças flamejantes. Sem purezas e banhadas ao gozo continuo da realização do encontro inexplicável. Sadios? Essa pergunta não cabe. Joguei fora os paradigmas e os modelos... ah, pouco inventivo é a reprodução do dever ser.
          “Eu sei que assim procedendo me exponho ao desprezo de todos vocês: lamento! Mas fiquem sabedo que ele voltou e comigo ficou. Voltou pra matar a saudade, a tremenda saudade que não me deu sossego momento sequer. Voltou pra impedir que a loucura fizesse de mim um molambo qualquer” (Molambo- Jayme Florence). 
       "O que nos faz e nos move é aquilo q não se expressa, não se adianta, não se planeja. Por isso amei, por isso ainda amo as lembranças tortas, não retilíneas. Ah, não não me arrependo, me refaço e reconstruo a base da imprevisível. Amo, amo intensamente a alegria de ser o diferente, o injustificável e tudo aquilo que se realiza no inesperado.
              Não me faço, não me realizo nessa sociedade regrada. Sim, sou e amo a totalidade conteste. A ausência de normas me cativa e me abre as portas de um outro amanha, aparentemente impossível.


Esse maravilhoso momento
De engano que fazemos
Quem olha em meu rosto diz
Maria você mudou
no meu corpo
no meu rosto
no que eu canto
Trago tudo que eu vivi”

        




        Como a Maria Bethânia recitou na abertura dessa canção em 1968: "Mais uma história para o ócio dos que falam do amor das pessoas como de um terrível vício. A minha contribuição para quem com a infelicidade alheia compensa a sua própria infelicidade."
            Bethânia me faz perceber como sou mais um... nessas ida e vindas, no mal-estar e no bem-estar dessa nossa civilização. O amor é o doce e apimentado azedume do estar no mundo. De tudo o que li e do pouco que vivi e ouvi, não há nada nem ninguém que possa explicar esse misterioso talento do nosso embriagado viver. Me faço e me refaço nessa amarga alegria de joga-se no infinito prazer de ser, somente ser mulher.

              O amor voltou e ficou!

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