Minhas questões transitam, antes de mais nada, numa órbita cultural q nos molda comportamentos de gênero. E isso significa que nos imprime comportamentos machistas que tendem ao patriarcalismo.Dito isso, acho q já posso me apresentar como mulher, q sou, mãe, separada, trabalhadora, e... defensora de relações livres. O q não quer dizer, pra mim, necessariamente relações abertas, poliafetivas ou monogamicas. Penso q as pessoas devem viver o q as façam felizes. No entanto, é preciso destacar, nem sempre sabemos (sim eu me incluo nisso, sou tb um ser limitado) o q nos faz feliz. Identifico felicidade com liberdade, não necessariamente com relacionamento ou tipos de relacionamentos... a forma como este relacionamento se realiza pode ser diversa. Só não deve gerar danos emocionais. Por isso estou certa de que há um equivoco em determinar que são os tipo de relacionamentos que carregam o bônus dessa liberdade afetiva.
E vejo sim, muitas pessoas que jogam na mochila do poliamor a busca por essa liberdade q é uma busca individual. Somos limitados, egocêntricos, individualistas, possessivos. Somos seres construídos em uma cultura organizacional q se realiza em compra e venda de mercadorias. Então, toda a minha limitada autonomia direciono as minhas ações para desaprisionar minhas relações afetivas dessa troca mercantil. É assim q exercito minha liberdade! Pra mim, relacionamentos seja como for, requer confiança, respeito, empatia. Muito se clama em nome do amor. Muitos significados são possíveis e mensurados nessa palavrinha. Minhas relações me fizeram entender q cada um ama a sua maneira pq cada um entende o q conclama como amor a sua maneira.
Pra uns amor é compromisso, pra outros é entrega, pra tantos outros é carência... não há definições capazes de mensurar. O que pra mim há são acordos em construção. Portanto, penso q relacionamentos livres são buscas individuais e relacionais. Mas, infelizmente relacionamentos abusivos existem e, portanto, nenhum tipo de organização relacional exime ou carrega o ônus do abuso. São as nossas proposição dentro da relação que afastam o abuso não o tipo de relação em si q carrega esse abuso.
Eu já acreditei q existisse uma regra fundamental pra relacionamentos darem certo. E até já aceitei a relação livre por aceitar q pudesse ser essa a melhor forma. Mas, depois de alguns exercícios da minha pseudo-liberdade vi q o q isso gera são buscas de formas de determinar como esta relação dever ser. Sempre vem um "mas..." vc tem q atender o tel naturalmente, na minha frente. "mas..." se vc vai encontrar um cara q tá afim de vc e eu vou junto (?!) Eu vou fazer o q se eu não gostar do cara?
Sim, eu não banquei manter esse tipo de relação. Coisas q eu não sentia em outras relações comecei a sentir, como ciúmes. (http://lugardemulher.com.br/ciumes-acontecem/) E, em determinado momento passei a clamar por um relacionamento fechado. As explicações podem ser muitas q justifiquem a ideia e culpabilize o comportamento. Contudo, estou convencida de q há um equivoco em querer manter uma ideia que aprisiona comportamentos em nome da liberdade.
Infelizmente uma relação livre de danos ainda é uma utopia. Mas, pra mim, é um norte q me orienta e alimenta. Ainda que eu saiba que, nesse tipo de sociedade patriarcal, o q almejo sempre será uma busca, opto por seguir nesta busca. Sei q é uma utopia pq a relação livre de danos só é possível e realizável com pessoas livres, coisa q pelo aspecto cultural não somos.
Somos todos limitados, vivemos pela mediação mercantil desde q nascemos. Logo, tenho noção que proponho algo incomensuravelmente irrealizável.
Mas, a prática mais comum dos relacionamentos tem sido de relações abusivas e silenciadoras. E isso pra mim é algo muito triste, algo do qual eu não quero compartilhar.
Pros q, como eu, são loucos e ainda assim, com tantos "contudo", optaram por continuar vivendo e sonhando, e construindo saídas dentro do inimaginável proponho q vivamos, experimentemos a liberdade relacional construída na empatia, na troca, na confiança mútua. Dando o q se tem, recebendo o q se é oportunizado. Miminizando práticas q aprisionam comportamentos. Em respeito mútuo, em cumplicidade. Isso pode sim acontecer em relações "fechadas". Como também pode não acontecer em relações "abertas". Não é o fato de vc estar autorizado ou não a sexualizar-se com outras pessoas q te torna uma agente de uma conduta des/aprisionadora. Não importa a forma, sim o conteúdo!
Estamos aqui a falar de busca por práticas q abolem o outro enquanto propriedade. Portanto, trata-se de destruir o seu próprio lugar de comandante da relação. Abolir a propriedade é algo mais complicado do que inicialmente parece. Requer cuidado, entrega e, principalmente reconhecimento de si. Pois, se a relação é a dois não pode existir um dominador e um dominado. Há de ser uma organização relacional onde cada um decide por si e com generosidade, por empatia, pelo outro. Onde os dois se permitem a alternância de papéis previamente apreendidos. No mesmo passo, requer a busca mútua pela supressão destes papéis. Sejamos autênticos permitamos experienciar práticas relacionais destituidoras de poder. A opção q Eros me oferece segue pela prática do viver e deixar viver. Regras previamente prontas aprisionam, é o sentimento de amor que estende os nossos limites, amplifica nossos horizontes e nos permite a troca afetiva. Tenho dito que superação é a minha palavra de ordem. Como dizia D. Canô "ser feliz é pra quem tem coragem". Então, tenhamos a coragem de não nos paralisar com medos e reprodução das opressões q nos silenciam. Eu quero um amor q permita-me ser. Eu quero um amor q esteja disposto a superar comigo as mazelas q essa merda de cultura jogou em mim. Eu quero um amor q tenha a coragem de amar! Pq sabe q o afeto é revolucionário! Abaixo práticas de boicote, viva o prazer relacional!Amar é agir. Não paralise, ame!

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