Me reli antes dessa escrita e fitei-me à reflexão do que mudei nestes últimos cinco anos. Me respondo, eu caí neste tempo que enquanto durava era sem fim. Eu me perdi de mim. Tamanha foi a força da ultima porrada. Demorei a perceber de onde ela veio, do que eu me esquivava e, consequentemente, do que eu me defendia. Quanto maior a expectativa maior a queda, já diz o ditado. Ficou uma tristeza, aberta e o berro da cabrita aqui ressoava dentro de mim em forma de melancolia. Temia e desejava o amor na mesma intensidade. Que contradição! Que loucura foi viver aquele tempo, tempos de ansiedade! Tempo de medo.
Bem, o tempo passou. Esse tempo passou. Não desisti de mim, me cuidei, me permiti e virei a página. A vida seguiu. Respiro alívio.
Hoje amo a minha nova versão. Mais independente. A angústia passou. A solidão também. Há uma coisa que admiro um tantão e me causa orgulho (de si para si), a autocapacidade de superação. Não deixa de ser um ato de coragem driblar as torrentes e seguir se encantando pela novidade de si.
Hoje concordo com Caetano, que eu nem gosto tanto assim, "Mora na filosofia. Pra que rimar amor e dor?!" Eu não gosto dessa rima e nem me esforço mais pra me adaptar e me ajustar a alguém pela promessa do eterno. Foi bom esse passo de sair do tempo futuro.
É bom me dedicar ao amor em movimento.
“Triste Bahia” com versos de Gregório de Matos, o Boca do Inferno
"Triste Bahia! Oh quão dessemelhanteEstás, e estou do nosso antigo estado !Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado,Rica te vejo eu já, tu a mi abundante. A ti tocou-te a máquina mercante,Que em tua larga barra tem entrado,A mim foi-me trocando, e tem trocadoTanto negócio, e tanto negociante. Deste em dar tanto açúcar excelentePelas drogas inúteis, que abelhudaSimples aceitas do sagaz Brichote. Oh se quisera Deus, que de repenteUm dia amanheceras tão sisudaQue fora de algodão o teu capote!"
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